Este foi um desafio que surgiu olhando ao redor em meu quarto, pensando em fazer um desenho de observação. Tinha acordado me sentindo inspirado e também mais cedo do que de costume, então tinha tempo de sobra o suficiente antes da aula.
Peguei o primeiro objeto em minha mesa que deu a maior inspiração para desenhar: a minha pelúcia da Fidget. Só pensava em realizar o desenho, e não nas habilidades ou conhecimentos necessários. Queria tentar, pelo menos.
Foi um desafio principalmente por ter conhecimento zero em anatomia e, a única referência que tinha era esse vídeo de Amaru:
A dica, fornecido tanto pelo próprio vídeo e por meus professores, foi desenhar a estrutura base em cima da referência em si, auxiliando no planejamento e também dar uma noção de proporção dos elementos do todo. Portanto, segui este mesmo raciocínio para a imagem da pelúcia:
Curiosamente, o corpo da pelúcia era composta majoritariamente por círculos. De resto, tinha retângulos nas pernas, e os triângulos em suas orelhas.
A maior dificuldade foram as asas: por mais que fossem compostas por curvas, o problema era a proporção das mesmas e a posição de cada uma das "pontas" em relação ao corpo. Essa última parte tive que refazer umas três vezes...
Finalmente, a pelugem do peito não ficou como esperava. Imaginei que, desenhando desta forma, representaria a ideia de um tufo cheio de pelos finos, mas, por estarem muito lineares e "arrumados", causou o efeito oposto. Parece aquele pelo que as abelhas têm, para ser sincero...
Desenho 16: Pelúcia de Fidget
Tempo de desenho - 2h20
No geral, fiquei contente com o resultado final: as correções que faria neste desenho seriam apenas detalhes e retoques, pois as proporções, posição dos elementos, estrutura base... Está ótimo, ainda mais por estar acostumado em desenhar rostos até este momento.
Pronto, sobre o desenho, é isso. Você pode retornar à listagem pelo botão abaixo:
... Espera, você quer saber a história da pelúcia? Sério mesmo?
Tá, tá bom.
Diferente dos outros, a história dessa pelúcia começou em 2012, quando ganhei o Xbox 360, logo no momento que a novidade era a assinatura Games with Gold.
Um dos primeiros jogos que chegaram à linha mensal foi o Dust: An Elysian Tail, e, para ser sincero, não me pareceu convincente olhando apenas as capturas de tela da página da loja Xbox. E até hoje segue assim dentre os diferentes portes (tendo exatamente as mesmas imagens, pra colocar sal na ferida).
Mas... Fiquei contente em não me dar por convencido naquela época só por aquelas prints. Antes, nas tendas de camelô, a "métrica de qualidade" que seguia eram as capas dos jogos. Eu olho a capa original do Shadow of the Colossus no quiosque e "vejo" um game de terror, tudo escuro e sombrio. Madagascar de PS2? Aí sim, esse é para mim.
AVISO DE IRONIA: Eu gosto muito de Shadow of the Colossus.
... E do jogo do Madagascar também.
Mas, diferentemente de aproveitar a promoção universal de 3 por 10®, aqui não precisava pagar* para testar o jogo. Caso não gostar do jogo... Era só apagar depois.
*Claro, você recebe "gratuitamente" o jogo contanto que pague a assinatura.
Hoje... ele é o meu jogo indie favorito. Personagens icônicos, trilha sonora fantástica e jogabilidade frenética e estilosa. Anos depois, descobri que ele foi feito por uma única pessoa, o que me fez apaixonar ainda mais pelo jogo.
... Ok, não foi exatamente só uma pessoa que estava envolvida. Diria que 80% do jogo foi feito por uma pessoa.
"Mas e a pelúcia, cara? Até agora você falou de Xbox, de três por dez do camelô do Zé da Esquina, mas nada dessa pelúcia."
Calma, cara, já ia falar exatamente disso.
Então, considerando o tanto que gostava desse jogo na época quando jovem, eu, consequentemente, tive a vontade de comprar produtos licenciados do game. E claro, como criança, saía procurando na web para ver se existia, mesmo não tendo dinheiro para comprar.
Eu lembro até hoje dos pulos de alegria que tive quando vi isso. Era como se um sonho tivesse sido realizado.
... Mas veio um desafio. A crença de que "pelúcias" eram coisa de menina ou de criança (mais criança do que eu já era, eu digo). Eu imaginava a conversa:
"Pai, mãe, eu quero essa pelúcia aqui."
"Filho, você não é grandinho demais para isso? Não prefere a Pista Ataque do Tubarão Hot Wheels? O brinquedo mais incrível e másculo que existe?"
Só depois de um tempo que eu notei o quão ridículo esse pensamento era.
Não o da pista do Hot Wheels. Esse brinquedo era factualmente incrível e másculo. Eu me refiro a crença.
Por muito tempo, me importava muito com o que os outros iriam dizer. Até mesmo com o que meus pais iriam pensar se mostrasse essa pelúcia. Mas o que realmente importa é fazer aquilo que é importante para você mesmo. Afinal... Esta pelúcia é para mim. Quanto aos meus pais... Eles sempre queriam o meu bem. E não hesitariam em comprar, principalmente sabendo que era algo que importava para mim.
Legal, certo? Então não teria problema em comprar sabendo disso. Vamos tentar mais uma vez:
"Pai, mãe, eu quero essa pelúcia aqui."
"Tudo bem filho, compro sim. Onde tem para comprar esta pelúcia?"
"... Não sei. Quer dizer, tem essa postagem aqui que eu vi, mas..."
O segundo desafio.
O site oficial não tem absolutamente nada mencionando produtos oficiais.
O que tinha eram diferentes postagens de DeviantArt de fãs criando suas próprias pelúcias da personagem, mas nada vendido em escopo nacional.
Descrição da postagem do DeviantArt, a propósito:
Neste momento, tive um momento de hiato pela busca da pelúcia. Interrompi exatamente neste ponto quando era criança.
Os anos foram passando. Não tinha me esquecido da pelúcia, mas dei foco para coisas mais importantes naquele momento: ensino médio, faculdade, trabalho...
A pelúcia, inconscientemente, permanecia em minha mente. Por mais que não soubesse como prosseguir a partir daquele ponto... Eu queria a pelúcia.
... Veio um estalo. O meu primeiro salário caiu na minha conta.
O primeiro passo para o mundo adulto.
O primeiro passo para meu caminho de independência e autonomia.
Não foi um atalho.
Não foi algo dado por meus pais como um "mimo".
... Era a minha conquista.
... AGORA VAI, P$%#@. Eu vou achar essa pelúcia, e eu vou comprar.
Pensamento intrusivo da minha criança de anos atrás, ainda com o gosto amargo na boca.
Comecei a minha busca com uma dúvida:
... Espera, youtubers como Core (das Antigas) tem pelúcias de personagens como o Bendy em uma época que nem sequer tinha uma forma oficial de comprar aqui no Brasil. Como ele pegou um desses?
Nesse momento, descobri a existência de pelúcias personalizadas artesanais em mercado nacional.
Se eu não posso comprar... Por que não pedir para alguém fazer?
Ah, é verdade! Eu fui atrás e achei a pessoa que fez o boneco para o Core, a Srta. Zuzza.
... Mas ela não trabalha mais com bonecos personalizados.
Após um tempo, consegui finalmente encontrar uma loja que faz pelúcias encomendadas e entrega em casa. Envio exatamente a imagem da postagem do DeviantArt para ela como referência.
A artesã aceita e o valor que ela cobra é perto dos trezentos reais.
O tempo para confeccionar e enviar a pelúcia era de 4 meses.
4 meses depois e cadê a p#$%@ da minha pelúcia?!
Após um mês de atraso...
Ela chega em minha casa, bem no meio de uma reunião de trabalho.
E com um Fini vermelho de brinde.
Tipo... A artesã já tinha mandado fotos e vídeos do resultado antes de enviar, mas nossa... A qualidade era de produto oficial.
Muito bem detalhado, com asas e cauda, e tudo mais. Segurando a pelúcia tinha até aquele peso de enchimento de produto de qualidade. Não aquele peso leve de pelúcia de Sonic que você compra na rua.
Naquele momento, o gosto amargo que aquela criança carregava havia desaparecido.
Ela finalmente tinha a pelúcia que sonhou durante doze anos.
O medo do que os outros poderiam pensar já não importava.
O sonho estava ali, nas minhas mãos.
Cada centavo...
Cada mês que passou...
Valeu a pena.
Menos o mês que atrasou, vá tomar no c-
Escrito em 11 de Julho de 2026, revisado em 13 de Julho de 2026 < Voltar
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